Autoras: Cláudia Ribeiro e Joana Santos
“ARTE e MATEMÁTICA - criatividade, beleza, universalidade, simetria, dinamismo, são qualidades que frequentemente usamos quando nos referimos quer à Arte quer à Matemática. Beleza e rigôr são comuns a ambas. A Matemática tem um notável potencial de revelação de estruturas e padrões que nos permitem compreender o mundo que nos rodeia. Desenvolve a capacidade de sonhar! Permite imaginar mundos diferentes,e dá também a possibilidade de comunicar esses sonhos de forma clara e não ambígua. E é justamente esta capacidade de enriquecer o imaginário, de forma estruturada, que tem atraído de novo muitos criadores de Arte e tem influenciado até correntes artísticas. Como a história demonstra, a Matemática evolui muitas vezes por motivações de ordem estética. Como dizia Aristóteles "Os filósofos que afirmam que a Matemática não tem nada a ver com a Estética, estão seguramente errados. A Beleza é de facto o objecto principal do raciocínio e das demonstrações matemáticas", e Hardy afirmava que "O matemático, tal como o pintor ou o poeta, é um criador de padrões. Um pintor faz padrões com formas e cores, um poeta com palavras e o matemático com ideias. Todos os padrões devem ser belos. As ideias, tal como as cores, as palavras ou os sons, devem ajustar-se de forma perfeita e harmoniosa."”
O Renascimento foi uma época de renovação das artes e das ciências
europeias, entre os séculos XIV a XVI, marcado pela valorização da Antiguidade Clássica. As construções foram influenciadas por características antigas, adaptadas à nova realidade moderna, ou seja, a construção de igrejas cristãs adoptando-se os padrões clássicos e a construção de palácios e mosteiros seguindo as mesmas bases.
Arquitectura:
Os arquitectos renascentistas perceberam que a origem de construção
Escultura:
No renascimento a escultura ganha independência e a obra, colocada acima de uma base, pode ser apreciada de todos os ângulos. Destaca-se a expressão corporal que garante o equilíbrio, revelando uma figura humana de músculos levemente definidos e de proporções perfeitas e as expressões das figuras, reflectindo expressões faciais.
Pintura:
Nesta altura é introduzida a perspectiva à pintura. A representação de cenas a três dimensões nas duas dimensões de uma tela constituía um problema que só foi ultrapassado com a noção de perspectiva. E aqui, foi necessária a ajuda da Matemática. Uma das principais diferenças entre a arte medieval e a arte renascentista é precisamente a introdução da terceira dimensão que permite ver a cena no espaço, representar a distância, o volume, a massa e os efeitos visuais. Pintavam-se algumas partes iluminadas e outras escuras, dando a ideia de sombra. Esse jogo de contrastes reforça a sugestão de volume dos corpos. A pintura renascentista tem também como característica o Realismo, isto é, uma maneira de agir, de interpretar a realidade de forma objectiva e com uma atitude racional.
Um bom exemplo da relação Arte – Matemática é utilização do número Fi e da proporção de Áurea (que é a forma mais harmoniosa de dividir um segmento de recta) na Arte, tanto na arquitectura como na pintura.
A primeira manifestação do número Fi e da proporção Áurea numa grande construção humana é a “Grande Pirâmide de Gizé” uma das maiores, mais antigas e mais conhecidas obras de sempre do homem. A visualização da proporção neste monumento encontra-se nas salas, que na antiguidade designava-se por câmara, apesar de não serem muito visíveis exteriormente, onde é mais visível a utilização do Fi e da proporção na no monumento em si, pois a relação entre o comprimento da bissectriz do ângulo superior de um dos lados triangulares (x) e o apotegma da base quadrada (y) representa quase exactamente o valor de Fi, como podemos visualizar na fig. 1(lado esquerdo) .
Outra grande manifestação do número Fi e da proporção Áurea a nível arquitectónico é as instalações da faculdade de engenharia da Universidade Politécnica Estadual da Califórnia, EUA, a “Cal Poly”. Na planta, deste projecto, mostrada, que todo o complexo foi projectado em torno de uma forma básica, a espiral, a conhecida espiral de Fibonacci (foi através da suas sequencias que se obteve o nº Fi), e essa espiral é a base de todo o projecto. Na fig. 3 a espiral está claramente desenhada no piso da área central, ainda em construção.
O número Fi e a proporção Áurea não estão apenas presentes na arquitectura, também a pintura tem na sua realização a proporção Áurea, e está bem presente nas obras de um dos melhores, se não o melhor, pintor de sempre, Leonardo Da Vinci.
O célebre quadro Última Ceia tem presente o número e a proporção. Analisemos a figura 5. A linha verde divide exactamente a proporção Áurea, ela passa entre o tampo da mesa e os apóstolos. A posição de Cristo, com os braços abertos descreve, quase, exactamente em um triângulo Áureo obtusângulo.
Outro celebre quadro que também se encontra marcas Fi e de progressão, novamente de Leonardo Da Vinci, La Gioconda ou mais conhecido por Mona Lisa. Analisemos também estas figuras, principalmente a nº7. Na imagem grande da figura 7, essa imagem enquadra-se perfeitamente num rectângulo Áureo dividido por sua vez na razão Áurea separando a cabeça do tronco. Porém as relações mais óbvias estão na própria face. Vejamos, nas três reproduções à direita, na figura 7, como rectângulos Áureos enquadram, a face e a testa, na primeira imagem, o lado direito da face com a linha que passa pelo nariz, na segunda imagem e o olho e a posição da pupila, na última.
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